Bem humorado, amigo, compreensivo ao extremo, Equilibrista é uma pessoa linda e ainda por cima trepa bem. Por baixo, nem tanto.
wA Bêbada pelo Equilibrista
A Bêbada é uma mulher romântica, instável, instável, instável, instável e de temperamento apaixonante.
wNos churrascos de domingo...
Tem gente que veio logo e tem gente que primeiro a gente foi lá e só depois que veio ver a gente. Tem gente que estava linkado no blog dessa gente, tem muita gente surpreendente. E vamos parando por aqui antes que surja gente com dor de dente.
Ela e sua menina, ela e seu tricô
Ela e sua janela, espiando... Com tanta moça aí
Na rua o seu amor só pode estar dançando
Da sua janela, imagina ela por onde hoje ele anda
e ela vai talvez, sair uma vez, na varanda...
Ela e um fogareiro, ela e seu calor
Ela e sua janela, esperando... Com tão pouco dinheiro
Será que o seu amor ainda está jogando
Da sua janela uma vaga estrela e um pedaço de lua
e ela vai talvez, sair outra vez, na rua
Ela e seu castigo, ela e seu penar
Ela e sua janela, querendo... Com tanto velho amigo
O seu amor num bar só pode estar bebendo
Mas outro moreno joga um novo aceno e uma jura fingida
e ela vai talvez... viver duma vez... a vida.
O personagem da música do Chico Buarque é a mãe da menina da foto.
Espera, medo, angústia, solidão e... sono. A menininha era a única companhia, dormindo na cama dela, esquentando o lugar para aquele que chegava só quando já era dia. Trabalho é trabalho. Diariamente mexia nas azaléias do vizinho e esperava pela já previsível e pontual espera da mãe. Que era a do tricô, do calor, do penar. O tempo passou mas não aceitou o aceno de nenhum moreno. Mas teve um dia que ela não esperou mais. Se livrou da janela, da varanda, das desesperanças e insatisfações. Decidiu dar vida à vida, mudou de modo sutil, sem fazer barulho, não mudou nem a posição da mobília, continuou fazendo seu tricô, se empenhou em cuidar da filha e comprou uma agenda e uma caneta bonita, gostosa de escrever. Definiu pequenas metas diárias e não careceu de esforço nenhum para cumpri-las. Os anos passaram. E num piscar de olhos, quem a esperava, mesmo estando a família inteira dentro de casa, era ele.
Porque hoje tudo o que eu queria na vida era tomar com a minha mãe um leite com aquele café que só ela sabe fazer.
Moço, cuidado com ela! Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas: cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço. Às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera, essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga, é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela, delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta", a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente, diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental, não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano, que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar, esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha, óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo, que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem. Tá citando o princípio do mundo!
Elisa Lucinda
Sim, estou enfraldada e um tanto afiada. Hoje sou só menstruação. De sangue. De lágrima. Por isso também a escolha desse texto tão enluarado. Texto perfeito para esses dias. Dela, pessoa perfeita para a vida toda. Como escritora, poetisa, atriz. Lua menstruante como eu. A minha capixaba preferida. Elisa Lucinda.
Chorei (e nem percebi) vendo ontem o Jean se acabando ao se despedir da Pink. Ô Jean lindo é aquele. Ô Pink impulsiva e que só consegue olhar pro próprio umbigo (parece até com alguém que eu não consigo lembrar quem é...) Eu ali, de cara com o Big Brother e o Big Brother me arrancando lágrimas. Onde já se viu? E nem é época de tristeza ou melancolia. Estou é bem tranqüila. É que fico insuportável de tão emotiva nesses dias vermelhos. Mas ao mesmo tempo tenho muita vontade de coisas mais pesadas, agressivas, violentas. Só não vale chamar de vaca e galinha. Porque além de não ser pesado, agressivo e violento, é óbvio e batido demais. Estamos combinados?
Quando a pessoa percebe que está se divertindo esparramada no sofá numa ociosa tarde de sábado assistindo ao programa do Raul Gil é porque a coisa está mesmo feia.
Recibi por e-mail hoje: um pouco de Cortázar para animar o dia.
Ocupações Maravilhosas
Que ocupação maravilhosa é cortar a pata de uma aranha, metê-la num envelope, escrever Senhor Ministro das Relações Exteriores, acrescentar o endereço, descer a escada aos pulos, botar a carta no correio da esquina.
Que ocupação maravilhosa é ir andando pelo Boulevard Arago contando as árvores, e a cada cinco castanheiros parar um momento num pé só e esperar que alguém olhe, e então soltar um grito seco e breve, e girar como um pião, os braços bem abertos, igual à ave cakuy que se vê nas árvores do norte da Argentina.
Que ocupação maravilhosa é entrar num café e pedir açúcar, açúcar outra vez, três ou quatro vezes açúcar, e ir formando um monte no meio da mesa, enquanto cresce a fúria nos balcões e debaixo dos aventais brancos, e exatamente no meio do monte de açúcar cuspir suavemente e espiar a descida da pequena geleira de saliva, escutar o barulho de pedras quebradas que o acompanha e que nasce nas gargantas contraídas de cinco fregueses e do patrão, homem honesto em certas horas.
Que ocupação maravilhosa é tomar o ônibus, descer em frente ao Ministério, abrir caminho a golpes de envelope com selos, deixar para trás o último secretário e entrar, firme e sério, na grande sala de despacho toda de espelhos, no momento exato em que um contínuo vestido de azul entrega uma carta ao Ministro, e vê-lo abrir o envelope com cortador de papel de origem histórica, enfiar dois dedos delicados e retirar a pata da aranha e ficar olhando, e então imitar o zumbido de uma mosca e ver como o Ministro empalidece, quer tirar a pata mas não consegue, está agarrado pela pata, e dar-lhe as costas e sair assobiando, anunciar nos corredores a renúncia do Ministro e saber que, no dia seguinte, entrarão as tropas inimigas e tudo irá para o inferno e será uma quinta-feira de um mês ímpar de um ano bissexto.
Para não dizer que eu não falei da pequena grande flor
17 de março. Estaria fazendo 60 anos. 3 anos mais nova que a minha mãe. Elis. Minha musa maior. Pimentinha. Furacão. Ou qualquer outro nome que a queiram chamar, no aumentativo ou no diminutivo, não importa. A música que segue é de composição do Milton, maravilhosa, e que foi interpretada por ela com emoção e verdade ímpares.
Para quem quer se soltar, invento o cais,
invento mais que a solidão me dá
Invento Lua nova a clarear, invento o amor
E sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz, invento o mar,
invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir, eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
e um saveiro pronto pra partir
Invento o cais e sei a vez de me lançar.
Um post de um novo amigo destas bandas me chamou atenção sobre minha situação atual. Ando imerso em uma inércia que há muito tempo não me via, esperando a espera acabar.
Inerte em um movimento retilíneo e uniforme, impulsionado por alguma força que agora já é somente parte da história.
E estou aqui, nesses momentos onde a vida pede projetos, pede não, ordena, e eu me sentido muito mais como um projétil. Arremessado à inércia sem ao menos saber qual é o alvo.
Em alguns momentos como projétil chego até a duvidar da sensação do movimento, já que nem mais sinto a resistência do ar. Fico imaginando se já não atingi uma parede e estou lá estatelado acreditando ainda estar em direção a algum lugar, afinal o que difere o projétil inerte em movimento contínuo do projétil inerte paradão, grudado na parede feito bala perdida?
E é essa a minha crise de identidade, ser um projeto ou ser um projétil?
To be or not to be. E a crise é por acreditar por tanto tempo e com tanta força e convicção na ação pela inação, na beleza do Tao e na sabedoria em não ser resistente e em não criar expectativas; e ao mesmo tempo ser um desses tais seres-vivos, criaturas que insistem em controlar os rumos da vida, com uma força maior que a própria vida.
Gostaria muito de acreditar que uma vida de projetos seja a mais acertada, cheia de verdades, escolhas, expectativas e livre arbítrio. Seria maravilhoso agora simplesmente amassar a planta deste projeto e como no desenho do Pica-pau voltar para a prancheta de planejamento. Mas não quero amassar nada, quero ver aonde isso vai dar e se for eu uma bala que atingiu o alvo, torcer para ter matado alguém e ter o mal cheiro como aviso do fim.
Mas como acreditar que projetos ou projéteis façam sentido se para todos os lados que olho não vejo nenhum desenho com círculos concêntricos? Eles realmente existem?
E dessa vez num lugar com o nome mais adequado possível.
Sexta-feira. Encontro marcado no ponto de ônibus, blusa super discreta cor de rosa choque para esconder o super decote do modelito preto. Eu sou tímida, lembram? Pois bem. Vanessa e Marcelo (um casal e tanto!) e a apresentação de mais três. Um deles, com nome de música do Abba, que com o passar das cervejas me revelou ter tido quando criança uma lombriga que foi apelidada por ele mesmo de Tatit. Por um momento desejei que a meningite que largou do rapaz no Carnaval voltasse para aquele corpo com força total e que dessa vez fosse fatal. Mas estou em processo de evolução, estou querendo ser uma pessoa melhor e por isso desejei a morte de Fernando apenas por meia hora. Telefonema do Equilibrista, telefonema da Eduarda e o Guiu nada. Espera de um banho e espera de outro banho. Mutantes para trilha sonora de risadas gostosas. Ô povo bom que sabe rir frouxo! Finalmente, Bebedouro. Dona Emera e sua cerveja gelada já estão nos esperando. Gente bacana, gente bonita. O moço mais esperado da noite e sua amiga chegam. Alegria, alegria! Todo de preto, todo simpático, todo pimpão! Nem parece que ficamos tanto tempo ser nos ver. Mariana Tamas com seu sorriso largo me acompanhou em danças como a de Farofa-fá e a noite virou dia num piscar de olhos. Momentos e fases de vida (diferentes ou não) compartilhados e sendo expostos numa mesa, assim como também, inseguranças e expectativas. Faltou uma câmera fotográfica. Acho desperdício um encontro tão bom não ganhar nenhum registro.