wO Equilibrista pela Bêbada

Bem humorado, amigo, compreensivo ao extremo, Equilibrista é uma pessoa linda e ainda por cima trepa bem. Por baixo, nem tanto.


wA Bêbada pelo Equilibrista

A Bêbada é uma mulher romântica, instável, instável, instável, instável e de temperamento apaixonante.





wNos churrascos de domingo...

Tem gente que veio logo e tem gente que primeiro a gente foi lá e só depois que veio ver a gente. Tem gente que estava linkado no blog dessa gente, tem muita gente surpreendente. E vamos parando por aqui antes que surja gente com dor de dente.

100 Sal
Allons, Enfants!
Arquétipos de Massa
Art.manha
Assumo os Pecados
Atrás da Orelha
Bolha de Sabão
Cada um dá o que tem
Caderno de Sonhos
Cardiotopia
Cartas a Algema
Comédias da Vida Gelada
Crazy Hair Weird Feelings
De onde pra onde?
Discoteca Básica
Eloqüência
Entorpecido
Erros de Semântica
Eu e o Poeta
Exagero Descontrol
Garatuja
Jesus, me chicoteia!
Jornaleco!
Just in Time
Limão Azedo
Mafalda Crescida
Malvados
Maquiagem e Morfina
Marcelo Masili
Maré
No Eating
Ouvido Penico
Perto do Coração Selvagem
Pink Synthetic Pearl
Placebos
Playground
Rosa Choque
Silenzio
Tá ruim mas tá bão
Usina de Desutilezas
Zero Absoluto



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wVasculhe o baú do casal

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wQuinta-feira, Dezembro 23, 2004


That's me in the corner

Continuando a seleção de músicas de final de ano, minha música. Para quem ainda não conheçe, apresento-lhes o Equilibrista:

Life is bigger
It's bigger than you
And you are not me
The lengths that I will go to
The distance in your eyes
Oh no I've said too much
I set it up
That's me in the corner
That's me in the spotlight
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh no I've said too much
I haven't said enough
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try
Every whisper
Of every waking hour
I'm choosing my confessions
Trying to keep an eye on you
Like a hurt lost and blinded fool
Oh no I've said too much
I set it up
Consider this
The hint of the century
Consider this
The slip that brought me
To my knees failed
What if all these fantasies
Come flailing around
Now I've said too much
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try
But that was just a dream
That was just a dream

Os sonhos aqui em Fotaleza são bons, já provei, inclusive o da padaria aqui perto de casa. Não tem muito recheio mas a massa é boa. No Campo Belo em São Paulo é melhor, não muito, pois é difícil comprar um sonho que não esteja dormido. Bons mesmo são os lá daquela padaria na Pompéia que fica na esquininha da Caraibas com a Alfonso Bovero.

Acho que estou perdendo minha religião.

Disse o Equilibrista em 20:50


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher


wQuinta-feira, Dezembro 16, 2004


Resposta ao Sr. Equilíbrio: Esqueça o que te disseram sobre o amor
(ou: A Bêbada otimista quanto ao ano que vem? Mas isso não é possível!!!)

Desculpas é que eu não vou pedir, pelo que quero e o que não quero fazer
Outro dia eu apareço, enquanto isso vamos nos entender
Esqueça o que te disseram sobre casa, filhos, televisão
É preciso sangue frio pra ver que o sangue é quente
E que vai ser diferente
A-ha a-ha a-ha vai ser diferente
Pode ser o que você nunca viu, pode ser o que você tem na mão
Pode ser exatamente o que eu digo e também pode não
Então esqueça seus sonhos, esqueça as regras e a exceção
É mais real, cru e fascinante, é mortal, passivo de ressurreição
A-ha a-ha a-ha... Vai ser diferente...

Nem sempre Paralamas do Sucesso me causa algo tão bom e capaz de mudar o astral do dia, mas hoje aconteceu. E muito. E sim, 2005 vai ter que ser diferente. E tenho dito.

Disse A Bêbada em 23:45


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher


wTerça-feira, Dezembro 14, 2004


Pra aquela com quem eu casei...

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim.
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez.
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder.
Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.

Disse o Equilibrista em 19:39


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher


w


A morte da dança
(ou: Faltou a música e parte da coreografia)


"Sei dos caminhos que chegam, sei dos que se afastam, conheço como começa, como termina o que faço, só não sei como chegar ao nosso próximo passo..."
(Alzira Espíndola e Itamar Assumpção)


E não haverá passo algum. A dança nasceu e morreu, talvez no mesmo instante. Ela não percebeu. Estava com uma jardineira jeans, blusa preta, cabelos presos em duas chiquinhas, uma de cada lado, os pés bastante confortáveis, tênis e meia, branco e preto, as olheiras lá, sempre presentes. Já é noite e enquanto escreve ouve algo deveras interessante que conhecera num desses solitários finais de tarde. Wibutee, banda norueguesa. No cd, uma maravilha seguida de outra. Não saberia definir o ritmo, mas gosta e está certa de que nesse momento esta é a melhor companhia para se analisar coreografias.
Escreve um amontoado de palavras de uma só vez. Respira. Procura o espelho, encontra. Lê. Lê-se. Acha uma delícia não ter o pensamento linear e poder ir tomar banho e voltar a escrever sem chiquinhas. Mas escrever para quê, meu deus, escrever para quem? Esse apanhado de informações tão desnecessárias. Tantas linhas cheias de palavras. Quem precisa delas? Sempre tão desperdiçadas. Por que gastar o tempo dessa forma? O tempo. Pensa no ano que está acabando, odeia dezembro. Lembra do que ele comentou hoje. Final ou começo ou meio do ano é tudo a mesma coisa. Disse. Tão cheio das verdades, às vezes aparenta ter 17 ou 18 anos, voilà: de volta o coitadinho do caramelo. Mas ela quer achar a resposta. Para quem são essas palavras mesmo? E tudo aquilo que não foi dito? E o que estava lá nas entrelinhas e não foi sequer tocado? E as coisas não pensadas? Além de olhares, eles trocaram - cada um à sua maneira - palavras. E não aconteceu. Não fluiu. Nenhuma frustração. Nada disso é importante, mas poderia ter se tornado. E ao final, ninguém pensou em chorar. Caso eles pudessem. Eles. Os dois. Mas lágrimas por quê, se já têm os seus amores e são, pelos seus respectivos queridos, visivelmente apaixonados? Ela continuará angustiada, e não por ele ou por qualquer outra relação criada, sua angústia vem de sempre questionar a realidade em que vive. Morre de medo de estacionar a carroça da vida e ficar burra. Ele continuará sendo ha-ha-ha, nenhuma novidade. No máximo um palm novo e alguma renovada no repertório para continuar convencendo pessoas de que "he knows so much about these things...".
Ela estará sempre disposta a mudar. Ele nunca mudou, nem de cidade, nem de mulher, nem de instrumento musical, nem de bicho de estimação. Disse à ela um dia que faltava-lhe coragem. Nem nunca saiu do país. Mudará de carro daqui um tempo e provavelmente nunca viverá em outro lugar. Eles são os opostos. E retornariam somente para chorar a fuga de uma rara possibilidade. Mas agora é impossível. Acabou. Eles não existem mais.

Disse A Bêbada em 02:03


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher


wQuinta-feira, Dezembro 09, 2004


O início da dança

É ela mesma quem faz os novos cortes de cabelo, que mudam semana sim, semana não. Ele num momento de distração, deixa que percebam que ele não usa meias com aquele sapato caramelo, feio e velho. E ela não tem noção nenhuma de que esta é a pista que não fazia nenhuma falta em sua vida.
Naquela manhã a casa estava numa desordem sentimental tão grande que ele não conseguiu achar um par de meias limpas. Foi o que ela pensou imediatamente quando viu a barra da calça jeans um pouco dobrada fazendo aparecer aquele pedaço de pé por baixo do caramelo do sapato. O que vem fácil, da mesma forma, vai. Um dia ele opinou sobre o perigo de se adquirir coisas não-originais, e por isso, mais acessíveis. Mas afinal, o que é fácil? Foi a dúvida que permaneceu com ela durante dias. Whatever...
Imaginaria qualquer um que o visse com os pés daquele jeito, que aquele jovem rapaz que aparentava uns 7 anos mais velho que a idade que tinha, estava, pelo menos naquele dia, numa situação triste. Ele até podia ter dito à si mesmo: "tudo bem, não tem meia mas a vida continua", mas não deixou de se sentir incomodado por ter que exteriorizar dessa forma o que estava vivendo. Nos dias que se seguiram, a fragilidade era tanta que ela conseguiu notar o quanto estava perdido, correndo de um lado para o outro, rodando num círculo de pontos fixos, como se fosse um trem em seu percurso de rota trilhada. Primeira parada, segunda parada, terceira, quarta, quinta, sexta parada, e volta. No dia seguinte, a mesma coisa.
Na semana seguinte, lá estava novamente os sapatos que ao andar faziam um tloc tloc tloc quase desanimado. Cansados, já com o som gasto. Mas o andar estava firme ainda. Pernas e resto do corpo acompanhavam tal vontade. Sim, vontade, muita vontade daquilo ser visto e chamado por firmeza, e por conseqüência, gerar admiração. E a olhos nus até que era bem possível acharem que o moço ainda estava em riste e que aquela alegria comprada era mesmo dele. Ela sabia de tudo, e foi sabendo assim, sem querer e aos poucos. E foi se aproximando assim, sem querer e aos poucos. Algumas coisas não entendia. Rosto queimando, mãos geladas de suor nervoso. Tudo estranho.
Ela apenas ficou durante dias pensando naquele sapato. Na quantidade de informações que ele lhe dera de presente. E pensava no quão ingratos são os sapatos, vez ou outra, para com os seus respectivos donos. Como neste caso. Seus sapatos o entregaram assim, com toda a nudez e a crueza tão grandes a ponto de despertar nela o instinto materno. Ela o olhava e tudo o que seus olhos captavam se transformava em coitadinho. Sentia, como todas as mães sentem o filho, um profundo incômodo e desassossego chamado piedade. Ela, a dona daquele par de sapatos verdes. E do vermelho, e do rosa, do branco, do lilás, do preto, do marrom, do bege, do laranja, do cereja, do de couro, do de pano, do de tiras. Ela, que conhece tão bem as formas de confundir as pessoas sendo tantos pés diferentes num curto espaço de tempo.
E ouve This Charming Man. E canta. E pensa em caramelo. E dança.

Disse A Bêbada em 02:57


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher