Bem humorado, amigo, compreensivo ao extremo, Equilibrista é uma pessoa linda e ainda por cima trepa bem. Por baixo, nem tanto.
wA Bêbada pelo Equilibrista
A Bêbada é uma mulher romântica, instável, instável, instável, instável e de temperamento apaixonante.
wNos churrascos de domingo...
Tem gente que veio logo e tem gente que primeiro a gente foi lá e só depois que veio ver a gente. Tem gente que estava linkado no blog dessa gente, tem muita gente surpreendente. E vamos parando por aqui antes que surja gente com dor de dente.
Vernissage chata com gente chata.
Corte profundo no dedo e parte da unha.
Amiga antiga com os mesmos assuntos de sempre.
Menstruação no meio da noite.
Mau-humor total.
Chaves esquecidas em casa.
Da meia-noite à 1 da manhã: a hora mais longa e punk de todos os tempos.
Palhaçada e queimação do próprio filme completamente desnecessárias com amigo recente.
Quinta-feira dos horrores.
Hoje, ressaca moral e nada saudável, além de muita sede e dor de cabeça. Falta de fome. Cólica. Ausência total de música. Vontade de enterrar a minha cara no chão e só desenterrar quando eu souber que está tudo bem. Enquanto isso não acontece, nem o Teenage me anima.
- Qualquer coisa eu dou um cheque.
- Não faz isso! Lembra o trampo que deu arrumar nossa conta depois dos cheques sem fundo do final do ano?
- Ah! Quer dizer que a gente nunca mais vai usar cheque?
- Vai, quando tiver dinheiro na conta.
- Mas se a gente tem dinheiro na conta pra que dar cheque?
Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
Porque eu preciso urgentemente do Morangos Mofados.
E porque com a mesma urgência eu preciso agradecer a uma menina mais do que especial que está me esperando lá no Ceará para ser a companheira mais que agradável de baladas, choros e risos. Agradecer pela conversa que durou horas de ontem para hoje. Conversa essa que me fez tão bem, mas tão bem, que foi capaz de mandar embora toda a minha angústia, tristeza, indecisão, ansiedade em demasia e insônia que já durava dias.
Porque felicidade, meus queridos, é menstruação que surge de tempo em tempo na vida da gente... (...e que um dia acaba)
Eu sabia que uma hora ou outra aquela felicidade ia acabar.
A semana acabou.
A semana que teve um recheio escocês tão especial.
Mas fechou com chave de ouro. Hoje em São Paulo fez um dia maravilhoso, como há muito eu não via. Sol lindo, céu azul claro e limpinho, e um vento gelado e tão cortante a ponto do nariz ficar vermelho. Eu adoro dias assim, acho-os de uma perfeição e beleza ímpares. Mas o dia acabou e tudo o que resta é uma deliciosa noite fria.
Como o meu adorável Equilibrista já não suporta mais ouvir Teenage, escolhi uma das minhas bandas preferidas pra ser trilha dessa nossa noite sem Nara e de muito trabalho, embora seja madrugada de sábado para domingo. Não devia ter escolhido tão bem, Smiths é para dias de sol, para momentos com amigos, para sentimentos nobres, para quando se tem certeza de que se está bem consigo mesmo.
Me esforcei tanto para que ela não fosse embora... Ela: a doce ilusão de felicidade que tive durante todos esses dias. E que por conta dela ouvi com tom de crítica um você está parecendo uma adolescente.
Ouço There is a light that never goes out e caio de cara com a minha realidade, repleta de insatisfação, carência, e tomada de uma vontade imensa de sumir da vida de parte das pessoas que conheço. Por incrível que pareça hoje é esta música que faz mais sentido e não How soon is now, que desde sempre representa tão bem a ansiedade em pessoa que sou.
Segunda-feira minha sogra chega, terça o pedreiro começa a reforma, quarta tenho que dar uma posição para o homem da transportadora, na quinta cuidarei de todos os domumentos do universo, na sexta vou ter que agüentar choros e jogos psico-emocionais da minha mãe e do resto da minha família, no sábado torço muito para que eu esteja com o pouco de sanidade mental que ainda me resta. Mas amanhã ainda é domingo. Amanhã é uma merda de domingo de dia das mães. Sou mãe, e daí? E daí, minha gente, e daí??? Nenhuma surpresa, nenhuma novidade, nenhuma expectativa. E não só nesse domingo, mas em todos os outros dias da minha vida. Já não espero nada de novo há tempos. Até por isso, qualquer rabo de cachorro balançando pra mim tem me animado tanto. E é tão triste. E sou tão triste. Tão patética nessa minha sinceridade absurda de assumir certas coisas que eu deveria guardar pra sufocá-las todas as noites sob o travesseiro antes de dormir.
Penso na fronha que me desfiz com travesseiro e tudo quando pensei não ter mais utilidade na minha vida à partir do momento em que decidi viver com o Equilibrista. Nessa fronha de tecido branco e fino havia escrito em letras grandes o nome de uma das músicas mais lindas que já ouvi. Last night I dreamt that somebody loved me era a frase com a qual eu dormia abraçada todas as minhas noites de lágrimas e de suspiros. Desde os meus 12 anos Morrissey me acompanha, com ou sem Smiths.
Laura Brown maldita, largue de mim de uma vez por todas. Só eu sei o esforço irreal que faço diariamente para não mudar de país e ser bibliotecária.
E foda-se o caro leitor que vier aqui atrás de alguma literatura barata. O que escrevo não é nem nunca será nada mais do que um diarinho pobre e sujo de alguém que teima em não sair da adolescência.
P.S.: É fato. Estou num dos meus piores momentos. E também por isso não peço desculpas.
Cheguei em casa de volta do show de ontem no Sesc Pompéia, andei pra cá, andei pra lá e repeti umas 3 vezes o percurso.
Nara dormia.
Hugo logo tirou a roupa e se esparramou na cama.
2 horas da manhã.
Eu estava cansada e não conseguia pensar direito. Por isso também nem me dei conta que podia ao menos tirar os sapatos. Havia um eco gostoso ainda na minha cabeça das músicas que ouvi ao vivo. Não conseguiria dormir e perder essa sensação. E não sosseguei até ligar o computador e colocar para tocar todas aquelas músicas, principalmente a Mellow Doubt. O máximo que consegui fazer foi tentar contar como foi para o amigo softsalva que não conseguiu vir do Rio até SP porque trabalha à noite. Encontrei o André (que assistiu ao show com a gente) no MSN porque ele estava na mesma situação que eu, com insônia e sem conseguir parar de ouvir Everything Flows... continuamos a dar os sorrisos de satisfação comentando e lembrando detalhes tão especiais da noite.
Chorei ao ouvir Your love is the place where I come from, Star sign e no segundo bis, The Concept. Não tocaram a tão esperada por mim Verisimilitude, mas o show inteiro foi lindo. Queria muito ter tirado fotos, uma maneira de materializar os momentos e sentimentos. Levei a câmera digital e entrei numa boa com ela, só que esqueci de pegar pilhas novas... Sem comentários!
E para quem se interessar, segue o setlist do show de ontem.
1. About You 2. Metal Baby 3. Ain't That Enough 4. Start Again 5. I Need Direction 6. Thaw Me
7. Mellow Doubt 8. Discolite 9. Your Love is The Place Where I Come From 10. Don't Look Back
11. I Don't Want Control of You 12. Speed of Light 13. Star Sign 14. The World'll Be OK 15. Neil Jung
16. Can't Feel My Soul 17. Sparky's Dream 18. Alcoholiday
1° bis: 19. Broken 20. Near You 21. He'd Be A Diamond (Bevis Frond cover) 22. Everything Flows
2º bis: 23. The Concept
Teenage Fanclub é uma banda perfeita. Mesmo. E olha que estou falando isso depois do calor da emoção pós-show ter passado. Não foi o melhor show da minha vida (também competir com The Cure e Page & Plant chega ser covardia) mas, confesso, chegou muito próximo.
Eu morava em uma casinha térrea que ficava em uma linda vilinha na Pompéia, exatamente a sete quadras do Estádio Palestra Itália. O bairro é um paraíso para qualquer palmeirense, para se ter idéia, imagine a seguinte cena:
Dia de jogo do Corinthians. Uma padaria cheia com a televisão ligada. Gol do time da fazendinha. O que se ouve em seguida? Silêncio.
Existem poucos lugares em São Paulo que poderia ser palco de tal cena.
Mas a praga alvinegra infelizmente se alastra em todos os cantos e lá existiam alguns espécimes que insistiam em morar em terras verdes. Um em especial morava no prédio vizinho à minha vila, nunca vi seu rosto nem sei como ele era, só sabia de sua voz, de seus gritos histéricos e ignóbil felicidade.
Para seu deleite e minha amargura, meu time passou pelos piores momentos de sua gloriosa história naquele ano que morei por lá. E tive que durante um ano engolir a seco os gritos do filho da puta.
A todo jogo olhava a porta da cozinha que dava para área de serviço, providencialmente aberta. Sempre aguardando quando seria o dia que poderia correr até lá e soltar o grito engasgado.
Hoje moro longe das terras verdes, mas que me perdoem os leitores deste blog.
Ao corintiano morador do predinho da rua Caraíbas, essa é pra você: