wO Equilibrista pela Bêbada

Bem humorado, amigo, compreensivo ao extremo, Equilibrista é uma pessoa linda e ainda por cima trepa bem. Por baixo, nem tanto.


wA Bêbada pelo Equilibrista

A Bêbada é uma mulher romântica, instável, instável, instável, instável e de temperamento apaixonante.





wNos churrascos de domingo...

Tem gente que veio logo e tem gente que primeiro a gente foi lá e só depois que veio ver a gente. Tem gente que estava linkado no blog dessa gente, tem muita gente surpreendente. E vamos parando por aqui antes que surja gente com dor de dente.

100 Sal
Allons, Enfants!
Arquétipos de Massa
Art.manha
Assumo os Pecados
Atrás da Orelha
Bolha de Sabão
Cada um dá o que tem
Caderno de Sonhos
Cardiotopia
Cartas a Algema
Comédias da Vida Gelada
Crazy Hair Weird Feelings
De onde pra onde?
Discoteca Básica
Eloqüência
Entorpecido
Erros de Semântica
Eu e o Poeta
Exagero Descontrol
Garatuja
Jesus, me chicoteia!
Jornaleco!
Just in Time
Limão Azedo
Mafalda Crescida
Malvados
Maquiagem e Morfina
Marcelo Masili
Maré
No Eating
Ouvido Penico
Perto do Coração Selvagem
Pink Synthetic Pearl
Placebos
Playground
Rosa Choque
Silenzio
Tá ruim mas tá bão
Usina de Desutilezas
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wVasculhe o baú do casal

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wSexta-feira, Junho 27, 2003


Das vantagens de ser bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: Estou fazendo. Estou pesando.
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem .
Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chama um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e por tanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: Até tu, Brutus?
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham da vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Essa crônica da Clarice eu encontrei em uma revista Palavra de maio de 2000, a ilustração a Bêbada rasgou. Como não sei qual era, imaginei uma nova.
Nela eu estou abraçado a minha Bêbada e estamos enrolados em um cobertor xadrez.


Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela que diz....
....Pois paz sem voz, não é paz é medo.

Disse o Equilibrista em 04:46


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher


wTerça-feira, Junho 10, 2003


Enquanto houver burguesia não vai haver poesia

Eu não sou do tipo indignado, que levanta bandeiras e faz panfletagens, já fui. Não sei muito bem em que momento de minha vida resolvi guardar minha camiseta do Che na gaveta. Mas há muito tempo não sentia esse antigo asco juvenil e revitalizante como aconteceu quando ouvi em um programa de TV a atriz Daniela Escobar declarar que paga 15 mil reais em uma bolsa. Acrescentou ainda em sua frase, que como seu avô já dizia: mais vale um gosto do que dinheiro no bolso, e que afinal o dinheiro era fruto de seu trabalho.
O Brasil é um dos países com a maior taxa de mobilidade social, isso que seria, em tese, uma das melhores formas de se fazer o capital se mover e beneficiar o maior número de pessoas necessitadas sem precisar nivelar para baixo como em um eventual comunismo imposto pelo Estado. Mas o fato é que mesmo com toda nossa mobilidade social ainda existem essas famílias que se mantém há tanto tempo boiando na nata social e que fazem desses absurdos fantásticos a realidade.
Paredon? Não, isso não faz minha linha, prefiro o caminho da educação.
Tenho uma filha de 1 ano que aprendeu há pouco tempo o significado da palavra FEDIDO, ela já sabe que o odor de suas fraldas não é agradável.
Vou tirar o pó dos meus panfletos e começar já a ensinar a ela outros significados para essa palavra.

Ela paga 15 mil reais em uma bolsa e acha justo.


Disse o Equilibrista em 14:05


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher


wTerça-feira, Junho 03, 2003


Culpa

Dizem que o sexo é ligado diretamente à culpa. Tenho pensado e gritado muito sobre culpa, mas ligada ao amor.
Desde que estamos juntos venho arrastando a Bêbada, de forma forçada, sobre meus ombros, para a sobriedade.
Sobriedade sem poesia, sem Caetanos, sem chinelinhos e sem modernidade.
Se nosso amor é, é por culpa de alguém. Eu sou o grande culpado e ela é a vítima. Vítima de um amor empurrado goela abaixo como aquelas colheradas de óleo próprias para curar bebedeira.
Assim, pelo menos, eu venho sentindo durante toda nossa relação.
Eu sou o cinza, apoético, equilibrado, equilibrista. E venho forçando a ela esse meu universo opaco pela maneira desleal do amor.
O amor é a forma mais desonesta e suja de se ter alguém ao seu lado.
Assim, sou culpado.
E como culpado estou sentenciado pelo meu júri interior a ser privado de gostos e vontades que a levem muito além do seu jardim de cores.
Sou responsável também em mantê-lo muito bem cuidado, colorido e vibrante mesmo que seja este apenas um pequeno e cercado jardim.
É preciso ser um jardineiro atencioso, e acredito que todo aquele que se admite culpado acaba se tornando um dos bons.
Mas todos os jardineiros têm seus dias de desleixo e às vezes cansa ser tão culpado.

Nesses dias, como hoje, o cadeado do jardim fica aberto.


Disse o Equilibrista em 00:01


Meta a colher!
palpiteiros já meteram a colher