Bem humorado, amigo, compreensivo ao extremo, Equilibrista é uma pessoa linda e ainda por cima trepa bem. Por baixo, nem tanto.
wA Bêbada pelo Equilibrista
A Bêbada é uma mulher romântica, instável, instável, instável, instável e de temperamento apaixonante.
wNos churrascos de domingo...
Tem gente que veio logo e tem gente que primeiro a gente foi lá e só depois que veio ver a gente. Tem gente que estava linkado no blog dessa gente, tem muita gente surpreendente. E vamos parando por aqui antes que surja gente com dor de dente.
As Horas - Filme para Bêbadas e Equilibristas.
Nunca me identifiquei tão rápido com um personagem como com Leonard Woolf, eu e ele fazemos parte do seleto grupo que dorme e acorda com Virginia Woolf todos os dias.
Sou, como ele, um homem de As Horas, e também como o pobre Dan que provavelmente passou sua vida sem saber os porquês de Laura Brown. E sou ainda o poeta aidético, o visionário Richard, que vive sua morte em função dessas mulheres bêbadas.
Nenhuma Bêbada e nenhum Equilibrista saem da sala de As Horas em paz, sem ter seu mundo exposto, dessecado de forma tão perturbadora. Se você é um de nós sabe do que estou falando.
Os Homens de As Horas são os que vivem e lutam por uma felicidade que não existe, que não resiste, que massacra e que pode ser tão triste. É aquele que tenta simplificar o complexo em uma bondade que chega a ser idiota.
Ser um Homem de As Horas, enfim, é construir sua casa perto do lago onde as Bêbadas possam se afogar. Em alguns casos saber da tristeza do fim, mas em todos os casos nunca deixar de tentar.
- Meu amor, se você um dia me trair, não me deixa saber?
- Eu não vou te trair.
- Mas tudo bem se rolar, só acho sacanagem que eu fique sabendo. Se um dia isso acontecer promete que não me deixa saber?
- Humm... E se já tiver acontecido?
- ENTÃO SUA ÚLTIMA CHANCE É AGORA! CONTA LOGO!
Dois blogs me chamaram atenção esses dias e acabaram se juntando a uma vontade que tinha de escrever sobre o Universo dos blogs em geral.
O primeiro foi o Copy & Paste, feito inteiramente com textos dos outros copiados sem a menor cerimônia e fazendo do blog um clipping do gosto de seu autor, outro foi O Chato esse dedica seu blog a encontrar e detonar blogs que ele não gosta. Não vou dizer minha opinião sobre os blogs deles ou sobre seus gostos, pois afinal é sobre opinião que estou falando.
Quem é o senhor Copy & Paste para escolher quem vai para o trono e quem é o senhor Chato para dizer se o seu blog é bom ou não? Perguntariam alguns, e eu adicionaria, quem é o senhor BloggerMan para escolher quem vai estar no What´s up na página inicial do Blogger?
Ah! Que grande merda!
Como diria a Fernanda Young: Estou cagando.
Estou cagando para quem copia meus textos, estou cagando para quem fala que esse blog é uma bosta, estou cagando para os diversos rankings do Universo dos blogs.
Sabe por quê? Porque não passa de opinião! Porra!
Nada mais democrático e deliciosamente anárquico que a porra da Internet.
Tem gente que fica puto se copiam seu texto e não dão crédito, mas depois vai baixar músicas no Kazaa. Ué? E os direitos autorais?
Foda-se! Colocou na Internet? Pois na banca? Então não é mais seu. A obra não é sua é do seu público por mais chinfrim que ele seja.
O blog é seu, e todo seu, faça dele o que quiser.
Se eu quero e você quer tomar banho de chapéu
ou esperar papai Noel, ou discutir Carlos Gardel
Então vá!
Faça o que tu queres, pois é tudo da lei!
Mais de duas horas depois chega a Bêbada, e eu não estou brincando, pois havia um relógio gigante bem a minha frente que lentamente me mostrou minuto por minuto as horas passarem. Corremos novamente até o guichê:
Qual o próximo ônibus?
Acabou de sair o das 23:30, agora só meia-noite e meia.
Duas passagens, por favor. (Não houve a pergunta sobre o documento da criança, lógico)
Mais duas horas de ônibus, coisa rápida e sem novidade, chegamos ao nosso destino, ou melhor, chegamos à cidade do nosso destino.
3 horas da madrugada e estou eu conversando com uma mulher, que até agora não sei quem é, pelo telefone tentando pegar o endereço da tal chácara, desconfio que acordei a namorada do cunhado de alguém.
Passando a fábrica Tal, você vai até o lago e entra na rua da igreja que já é a penúltima chácara. Com essa precisão de endereço fomos em busca de um táxi gentilmente oferecido pelo único funcionário da rodoviária, que por coincidência, ou pelo frio absurdo, era o único ser vivo nos arredores.
O táxi chegou e começou então um debate entre o funcionário da rodoviária e o taxista sobre a existência ou não de igrejas e lagos na região. Antes que chegassem a um consenso a Bêbada chegou por eles.
Vamos que lá a gente acha. Achamos o lago e a igreja. Até a aí foi fácil, se a igreja não estivesse em uma esquina de três ruas. Nisso chega um vigilante com sua indefectível lambreta e eu, movido por total inércia, resolvo pedir informações.
O homem se empolga, o taxista desce, e começa um novo debate, agora sobre qual seria a penúltima chácara e a rua oficial da igreja.
Chegamos por fim à chácara certa depois de ter acordado muitas outras da região.
Taxímetro: 40paus! Taxista: Não aceito cheque. A Bêbada: Putz, o que temos é vinte reais aqui. Eu: É isso ou cheque. Silêncio de faroeste que durou o suficiente para ganhar o título de silêncio de faroeste.
Taxista: Me dá os vinte, então. O resto da viagem foi bem melhor que isso, voltamos bem.
Epílogo:
Entramos na chácara, bunda suja do bebê. Vamos trocar a fralda.
Flashback meu: Poe as fraldas na mala! Resposta da Bêbada: Não, a gente passa no Extra e compra. ...
E daí? Daí que quando se trata da Bêbada nada é tão simples.
Vou usar o irresistível estilo Pulp Fiction para contar, ou seja, dane-se a linearidade dos fatos.
Estou agora colocando pasta de dente em minha escova. O cenário, um banheiro (estilo casinha) em uma chácara e o banheiro localizado no lado de fora da casa.
Flashback da Bêbada: Pra que levar pasta de dente? Você acha que eles não têm? Eles, no caso, o casal de amigos que fomos visitar e que estavam hospedados em uma chácara.
Eu e a Bêbada de ônibus, mais mochila 1, mais mochila 2, mais bebê. Não esperem uma descrição do que havia nas mochilas, pois apesar do peso eu mesmo não sei.
Chegamos à rodoviária do Tiete depois de mais de uma hora de transporte coletivo variado atravessando a cidade. Corrida até o guichê:
Qual o próximo ônibus?
Está saindo em 5 minutos o das 21:30h.
Duas passagens, por favor.
Ok. O documento da criança.
...
Flashback meu: Vamos amanhã, já são 8 horas da noite, que horas vamos chegar lá? Resposta da Bêbada: De jeito nenhum, vamos agora que dá tempo.
Olha, a gente esqueceu o documento dela, serve a carteirinha do convênio médico?
Não, ou certidão de nascimento ou RG. Uma distribuição rápida de palavrões por parte da Bêbada e a sentença:
Vou pra casa buscar e você espera aqui com ela, aproveita para dar a mamadeira.
Neste momento eu deixo a lógica e toda a argumentação de lado, preferindo acreditar que era o início de uma noite no mínimo engraçada.
Engraçada não só para mim, mas para alguns espectadores da cena ao verem que a mamadeira em questão estava tão cheia de farinha Láctea que empedrou no fundo e não sairia de lá nenhuma gota.
Estou protelando escrever esse texto que agora escorrega fácil pelas minhas mãos. Já tinha pensado em não escrever, tinha escolhido nunca ir tão fundo como minha parceira de blog e de vida faz. Este sou eu! O silêncio, o raso, superficial e despreocupado, triste assim mesmo, mas enfim, eu.
Mas alguns dos últimos posts da minha bêbada tornaram meus dedos urgentes.
Não ganhei esse título por acaso, esse site não é uma homenagem a Elis Regina, de quem eu nem sou tão fã. Esse site somos nós, ela a bêbada, uma bêbada nada etílica, mas de emoções embriagadas; e eu o ponto de equilíbrio sempre pronto, o poste que sustenta a bêbada recebendo em paz vômitos diários em sua base de poste prostrado.
Não é fácil ser equilibrista, ainda mais para quem não tem nada de masoquista.
O equilibrar nunca é reflexo, é sempre um ato cauteloso, preocupado, sempre pisando pé ante pé, sempre atento e quase sempre a milímetros do erro.
E qualquer movimento errado, ou qualquer sentimento de falso controle ou de ingênua confiança pode fazer tudo ir ao chão.
Mas a arte de equilibrar aos poucos vai se tornando tranqüila e como toda arte, vai se tornando parte do artista. Assim, todas as peças e todo o corpo do equilibrista vai se tornando mais e mais equilibrados, mais firmes e infelizmente menos móveis.
Para ser um equilibrista, não basta vontade e não basta uma musa etílica, é preciso ter mais. É preciso ter o controle do tempo e da moeda, da subordinação e da insubordinação, da mãe e da filha. Dos amigos que foram e dos que aos poucos voltam. Do novo e do velho, da roupa e da nudez, do sexo e do sono, do choro e do choro.
Se um dia quiser ser equilibrista ame uma mulher que não cuida de si própria e peça para que ela cuide de você.